A Corregedoria do Detran, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil, por intermédio da 51ª DP (Paracambi), deflagraram, ontem, a operação Direção Oposta, com o objetivo de cumprir 45 Mandados de Prisão e 44 Mandados de Busca e Apreensão contra funcionários, prestadores de serviço do Detran e despachantes.
Até o início da tarde, 36 pessoas foram presas em nove municípios da Baixada Fluminense e da Região dos Lagos. Outras nove pessoas continuam foragidas. No total, 66 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público pela prática dos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, inserção de dados falsos no sistema de informações do Detran, falsidade ideológica e peculato.
Participaram da operação cinco delegados, agentes do Departamento Geral de Polícia da Baixada (DGPB), do Departamento de Polícia da Capital (DGPC), do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), do apoio de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), do Serviço Aeropolicial (SAER), 100 agentes do Grupo de Apoio aos Promotores de Justiça (GAP) do MPRJ, cinco Promotores de Justiça, 40 agentes da Corregedoria do Detran e seis agentes da Corregedoria da Polícia Militar.
Na casa de um dos presos, em Campo Grande, foi apreendida farta documentação de veículos, R$ 12 mil e celulares. Na Região dos Lagos, uma pistola, um revólver e uma carabina foram apreendidos, além de munições de pistola e fuzil.
No Posto de Vistoria de Paracambi foram 20 denunciados, entre eles, o chefe do posto, Ricardo Loroza de Rezende, apontado como líder da quadrilha que atuava naquele posto. Em Araruama, foram denunciadas 46 pessoas, todos funcionários e prestadores de serviço de dois postos de vistoria, chefiados por Nildo Sá Ferreira, apontado como o líder da quadrilha desta unidade.
Ricardo e Nildo são apontados pela investigação como os responsáveis por coordenar a atividade dos demais funcionários, cada qual em seu posto, e arrecadavam o dinheiro recebido por eles de motoristas que não desejavam submeter seus veículos à vistoria obrigatória. João Carlos Lanhas La Cava de Abreu, ex-subchefe do posto de Araruama, também é apontado como um dos lideres por manter as atividades ilícitas no Posto de Vistoria de São Pedro da Aldeia, chefiado por ele.
Fraudes rendiam até R$ 250 mil
Os fraudadores deixavam de vistoriar os veículos e regularizar documentos de licenciamento ao apresentarem laudos falsos, dando aparência de legalidade na emissão da documentação de veículos irregulares. Assim, Certificados de Registro de Veículos (CRV) e Certificados de Registro e Licenciamento de Veículos (CRLV) eram comprados, ao mesmo tempo em que era permitida a circulação irregular de veículos sem condições de circular.
Também foram identificadas irregularidades como fraudes no documento de transferência de propriedade dos veículos, retirada de multas e IPVA atrasados do sistema do Detran, além de emissão irregular de Carteiras de Habilitação.
As taxas cobradas pelos denunciados ficavam entre R$ 50 e R$ 300 por operação fraudulenta, variando de acordo com o cliente, com o grau de dificuldade da operação ou com o total de serviços solicitados. Estima-se que as quadrilhas faturavam de R$ 200 mil a R$ 250 mil mensais apenas com a chamada “vistoria fantasma”, quando o motorista não levava o veículo para inspeção e, ainda assim, recebia a documentação necessária para circular.
Entre os denunciados está o Policial Militar Rogério Teixeira Gonçalves, perito cedido inicialmente ao posto de vistoria de Araruama, atualmente trabalhando no Posto de São Pedro da Aldeia, onde continuou a exercer as práticas ilícitas.
A investigação teve por base conversas telefônicas captadas com autorização da Justiça, que flagraram diálogos entre os membros da quadrilha, descrevendo as práticas criminosas em curso de janeiro até novembro deste ano. As irregularidades foram constatadas em operações envolvendo automóveis de diversos municípios.
Os integrantes da quadrilha especializada em fraudes no Detran chegavam a lucrar de 3,5 a 4 milhões por ano com o golpe. A informação foi revelada pelo sub-chefe do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio (Gaeco), Marcelo Barbosa Arsênio.